Eficiência é “chave” para uma companhia superar crise

Especialistas debatem papel da governança para uma empresa atravessar momentos de aperto financeiro.

Em meio à crise econômica no País, companhias têm cortado pessoal para reduzir custos. Diante do aperto financeiro, o mais importante, no entanto, é investir em formas de melhorar a eficiência das operações, apontam especialistas em debate no fórum virtual de governança corporativa, organizado pelo Estado.

“Cortar pessoal é a forma mais simples de reduzir custos, mas não a mais eficiente”, afirma Luiz Edmundo Rosa, diretor da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH). “Uma crise é sempre um convite para inovação na gestão da companhia”, completa.

A visão é compartilhada pelo coordenador da Comissão de Governança em Saúde do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), Luiz de Luca, que enxerga na governança uma maneira de aprimorar processos e gerar valor.

“A governança ajuda as organizações a implementarem uma sólida estrutura de controle e monitoramento, o que gera eficiência operacional”, afirma.

Diretor da consultoria Accenture Strategy, Mattiew Govier afirma que, para uma companhia ser sustentável, ela deve ter um plano de redução de custos estruturado, principalmente durante crises.

“É preciso descobrir desperdícios de dinheiro, onde há um retorno baixo do que se gasta, e realocar esses recursos num investimento que dê retorno melhor”, defende.

Segundo o presidente executivo da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), Jairo Martins, o investimento em produtividade é crucial para empresas.

“O desempenho da organização é medido pela forma como ela utiliza recursos, pelo nível de eficácia e excelência. E produtividade é isso: gerar mais valor com menos recursos”, afirma.

Na visão do diretor de divisão da consultoria Luz, Décio Cunha, empresas brasileiras, porém, têm implementado uma governança “para inglês ver”, visando somente aproveitar o “valor de marketing” que o tema tem no País. “[A governança] é um processo muito mais lento, com resultado no longo prazo.”

OPINIÕES DOS LIDERES

Luiz de Luca (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC))

A eficiência nos processos na saúde gera valor e reduz custos

llAtualmente, a governança corporativa é vista como a nova onda no setor de saúde, que passa por um momento de profissionalização da gestão. Por meio dos seus pilares transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa, a governança ajuda empresas a implementarem uma sólida estrutura de controle e monitoramento da gestão, promovendo o melhor relacionamento entre as partes interessadas: societária, prestadora de serviços e comunidade. A maior eficiência na cadeia da saúde tem como consequência a redução de custos e a criação de valor, uma vez que seus processos passam credibilidade ao mercado e se mostram atrativos para uma injeção de capital, que impulsiona o desenvolvimento dessas organizações.

 

Luiz Edmundo Rosa (Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH))

Cortar pessoal não é a forma mais eficiente de reduzir custos

lrUma alternativa para cortar custos sem necessariamente reduzir pessoal é atuar sobre os principais custos de Recursos Humanos, além da própria folha de pagamento. E o segundo maior custo de uma empresa é com assistência médica. Em crises, com a redução dos quadros pelas empresas, a carga de trabalho aumenta de maneira desordenada e as pessoas acabam usando mais os planos médicos, o que faz os custos subirem – hoje, a maior parte do que uma empresa gasta na área da saúde é com planos médicos. Nesse cenário, é preciso investir mais na promoção da saúde e na prevenção de doenças. Comunicar-se bem com as equipes é mais barato. Falta de comunicação reduz produtividade e não ajuda a resolver conflitos internos. Portanto, cortar pessoal é a forma mais simples de reduzir custos, mas não a mais eficiente.

 

Matthew Govier (Accenture Strategy)

Governança corporativa é  combustível para o crescimento

mgPara ser sustentável, uma empresa deve trabalhar para encontrar áreas onde há desperdício de dinheiro, principalmente em tempos de crise. Esse programa de redução de custos em uma organização precisa ser exequível e estar dentro da cultura de governança da companhia. Quando deixamos para fazer cortes de custos em tempo de vacas magras, o risco é cortar também os bons investimentos, que dão bons frutos. Por isso, é importante não tratar somente o sintoma, fazendo cortes de custos mal planejados, e sim implementar uma nova governança que possibilite otimizações contínuas e sustentáveis. Independente do momento, é importante implementar um modelo que incentive comportamentos frugais e que produza, no curto e no longo prazo, o combustível necessário para investir no crescimento da empresa.

 

Jairo Martins – Fundação Nacional de Qualidade (FNQ)

Uma boa gestão prepara as empresas para tempos de crise

jmQualquer organização, pública ou privada, é responsável por utilizar seus recursos para gerar valor. Seu desempenho é medido por seu nível de eficácia e excelência em utilizar esses recursos. Ter os processos bem desenhados, evitar o desperdício, ter pessoas capacitadas, ter um sólido sistema interno de informação e ter um planejamento estratégico bem feito geram resultado. Quem harmoniza isso é a liderança, através da governança corporativa. O correto em uma empresa é já ter um sistema de gestão implementado para que, em momentos de crise, ela saiba quais pontos atacar. Quem não tem uma boa gestão se perde nessa situação, pois, no momento da retomada, a companhia não terá musculatura para se reerguer.

 

Fonte: O ESTADO DE S. PAULO – Terça-feira, 22 de setembro de 2015 | ECONOMIA | B9

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